Sobre minha primeira cachoeira

15.11.15


Já conheci gente que não liga de viajar. Gosta de ir à praia algumas vezes por ano e talvez conhecer um país "exótico" como Japão uma vez na vida e tá bom. Eu gostaria de ser assim, um pouco. Viajar cansa fisicamente, mentalmente e financeiramente. Mas é também a mais grandiosa e maravilhosa experiência que uma pessoa pode ter. O problema é que viajar vicia e é uma das únicas coisas que me deixa essencialmente feliz, completa e realizada.

Eu gostaria de viajar bem mais do que eu viajo hoje. Minha última viagem foi em 2012, para meu desespero. Em 2016 esse é um dos meus principais objetivos, se não endoideço, juro. Mas há apenas algumas horas percebi que resolver esse vazio que falta de viagem me causa não precisa envolver horas de voo, ter que me comunicar em outro idioma, fazer check-in em hostel, etc. Pode ser mais fácil do que eu imagino!

Últimos livros lidos #1

12.11.15

O Iluminado (livro + filme) ★★★☆☆


Jack Torrence é um professor pai de família que perde seu emprego em uma escola depois de ter um acesso de raiva e bater em um aluno. Com a necessidade de um emprego para manter mulher e filho, aceita ser zelador no período de inverno do hotel Overlook. Então ele viaja com a família para um lugar que fica totalmente isolado pela neve, durante 5 meses, e o único contato com o mundo exterior é um rádio (lembrando que a história se passa na década de 70, se não me engano. Sem computador/ipad/celular). Nesse período o hotel fica fechado, e Jack precisa se preocupar apenas na manutenção do hotel e em terminar, finalmente, uma peça que estava escrevendo, porém coisas estranhas começam a acontecer.

Eu não lembrava quase nada do filme. Lembrava só das cenas mais famosas, que viraram gifs e circulam pelo Facebook e o Tumblr. Isso foi ótimo, pois a maior parte da história foi uma novidade pra mim. O livro é muito bom! O hotel tem toda uma história de terror que é desenvolvida no livro que, claro, ficou de fora do filme.

No livro também tem uma outra característica interessante: o hotel é um dos personagens dessa história. Há "falas" no livro que são sinalizados com itálico. Essas falas instigam os personagens a falarem e se comportarem de formas estranham, o que me faz crer que é o hotel que está influenciando o comportamento deles ativamente. Achei uma sacada super interessante do Stephen King. Outra coisa que eu não lembrava era que o "iluminado" é, na verdade, o garoto, filho de Jack, Danny. Ele é sensitivo, (pre)vê coisas, e tem seu amigo imaginário Tonny.

O final do filme e o livro são diferentes, e eu tendo a gostar mais do filme nesse sentido. É bem mais real, enquanto o livro pende quase para o fantástico.


O Escafandro e a borboleta ★★★★☆


Esse livro foi escrito Jean-Dominique Bauby em condições bem peculiares. Durante um dia normal, quando ia buscar o filho na casa da ex-mulher para ir ao teatro, Jean-Dominique, um bon vivant bem sucedido (jornalista e editor da ELLE francesa) sofre um acidente vascular cerebral e sobrevive. Porém, sobrevive em condições angustiantes. Depois de algum tempo em coma ele acorda com síndrome do encarceramento (ou locked-in syndrome), ou seja, com o corpo inteiro paralisado, porém o cérebro funciona perfeitamente. A única coisa que ele conseguia mexer (além da cabeça, que ele conseguia virar alguns graus) era o olho direito.

O livro é meio um livro de memórias, que ele fala um pouco da vida dele antes do AVC, suas viagens, mulheres, experiências gastronômicas, etc. Também conta como é a rotina dele dentro do hospital. Depois do acidente, ele se comunica apenas com piscadas. Uma pra sim, duas pra não. Além de usarem um mural com as letras do alfabeto para criar as frases. Uma pessoa vai falando cada letra e quando chegar na letra da palavra a ser usada, ele pisca. Foi assim que ele escreveu o livro. Sim, ele escreveu o livro letra-por-letra, digitado por outra pessoa, claro.

Gente, que livro lindo. Ele compara a condição que ele está vivendo como se estivesse dentro de um escafandro, e como se a única conexão que ele tem com o mundo exterior é o olho esquerdo, ou seja, a borboleta. Por ser jornalista, ele tem uma escrita bonita, quase poética, e a leitura é tão fluida e angustiante. Recomendo muito!


É isso, gente. O que vocês andam lendo de bom? Acho que em dezembro vou fazer uma maratona. Se rolar mesmo volto pra contar tudo. :)